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Pirelli: Calendário 2018 de Tim Walker é apresentado em Nova Iorque10/11/2017

Nova Iorque, 10 de novembro de 2017 — O Calendário Pirelli 2018 realizado por Tim Walker foi apresentado hoje no Manhattan Center em Nova Iorque. Para a 45a edição do Calendário produzida em Londres em maio passado, o fotógrafo britânico utilizou o seu estilo inconfundível, com cenários inusitados e padrões românticos, para ‘recriar’ um dos contos mais clássicos da literatura britânica: Alice no País das Maravilhas. A inspiração para o seu ensaio fotográfico não se baseou apenas no conto surrealista de Lewis Carroll, mas também e principalmente nas ilustrações que Carroll tinha confiado a John Tenniel por ocasião da primeira edição de 1865, e que, no Calendário Pirelli 2018, se transformaram em 28 cliques realizados em 20 sets extraordinários de um novo País das Maravilhas.  

”A história da Alice - explicou Walker – foi contada tantas vezes, mas eu quis chegar à gênese do imaginário de Lewis Carroll para poder recontá-la desde o começo. Queria um enfoque inusitado e diferente”.  

Para realizar a sua interpretação de Alice no País das Maravilhas, Walker retratou um elenco de 18 celebridades, algumas mais conhecidas e outras emergentes, tais como músicos, atores, modelos, ativistas políticos. Trata-se da modelo australiana-sudanesa Adut Akech, da modelo e ativista feminista britânica-ganesa Adwoa Aboah, do modelo alemão-senegalense Alpha Dia, do ator e modelo americano-beninense Djimon Hounsou, da modelo australiana-sudanesa Duckie Thot, da ativista gambiana para os direitos das mulheres Jaha Dukureh, do modelo britânico King Owusu, do rapper e cantor americano Lil Yachty, da atriz queniano-mexicana Lupita Nyong’o, da top model e atriz britânica Naomi Campbell, do ator, apresentador, cantor e compositor RuPaul, da atriz americana Sasha Lane, do rapper, cantor, compositor, ator, produtor musical e empresário Sean “Diddy” Combs, da modelo americana Slick Woods, da modelo e advogada sul-africana Thando Hopa, da atriz, humorista, autora e apresentadora Whoopi Goldberg, do modelo britânico Wilson Oryema e da estilista, designer e cantora britânica Zoe Bedeaux que, juntos, formaram um elenco completamente negro como já aconteceu com o Calendário de 1987 do fotógrafo britânico Terence Donovan que retratou cinco lindas mulheres negras, entre as quais a adolescente com apenas 16 anos Naomi Campbell e a modelo, escritora e ativista Waries Dirie.

Para realizar o seu Calendário, após o do ano passado por Peter Lindbergh, Tim Walker contou com a colaboração de dois artistas de renome: Shona Heath, uma das maiores diretoras britânicas de arte e cenografia, e o ícone da moda Edward Enninful, o estilista que criou os elaborados e maravilhosos figurinos desta edição.

Shona Heath é a criadora dos cenários e das instalações deslumbrantes que permitiram a narração criativa desta versão de Alice no País das Maravilhas. Elementos do conto que pertencem ao imaginário coletivo são aqui desconstruídos: o Coelho Branco, por exemplo, torna-se um coelho preto, e as rosas vermelhas da Rainha são pintadas de preto pelas Cartas do Baralho. “Sempre procurei ideias novas para subvertê-las, sempre procurei questionar o significado do conto e de seus momentos que saltam à vista para diferenciá-los o quanto mais fosse possível. Na realidade, nós estamos passando uma mensagem muito clara que continua profundamente fiel ao conto original”, afirma Shona.

Comentando a contribuição dada ao Calendário deste ano, Enninful observa: “É muito importante que a história da Alice seja contada para uma nova geração. As suas Aventuras no País das Maravilhas refletem o mundo no qual vivemos, os obstáculos com os quais nos deparamos, a ideia de celebrar a diversidade. Fui criado em Londres e muitas vezes mergulhei no mundo fantástico dos contos de fada e de mistério. Alice sempre foi um dos meus personagens favoritos. Sentia-me sempre ao seu lado durante a viagem através o País das Maravilhas, e todos os personagens extraordinários daquele mundo tornaram-se meus amigos… bom, todos excluindo a terrível Rainha e seus carrascos. Hoje em dia, com uma Alice negra, as crianças de qualquer raça, desde pequenas, podem abraçar a ideia da diversidade e compreender que a beleza tem muitas cores diferentes. Vivemos em um mundo culturalmente diversificado. Projetos como este extraordinário Calendário Pirelli demonstram que ainda existe esperança para uma realidade que, a cada dia, aparenta ser mais cínica”.

Para Robert Douglas-Fairhurst, professor de literatura inglesa da Universidade de Oxford e membro da Royal Society of Literature, autor do ensaio Being Alice (no press kit), “interessante é a recusa de Tim Walker de limitar o papel do País das Maravilhas ao kitsch vitoriano”. Em seu ensaio, Fairhurst salienta que “apesar do nome ‘País das Maravilhas’ sugerir aparentemente um lugar mágico e despreocupado, as crianças que leem o conto pela primeira vez ficam amedrontadas com alguns trechos do conto. Até a própria Alice sente-se ameaçada pelo seu sonho. A maioria das criaturas que ela encontra é mais rude do que carinhosa”. “Mas obviamente o foco são as fotografias da Alice. E a Alice mais uma vez. Aqui ela já não é mais uma criança, e é interpretada por uma modelo cuja beleza é sobrenatural (Duckie Thot) e cuja história de filha de sudaneses refugiados na Austrália faz com que ela se torne a encarnação moderna e ideal da irrequieta e fugitiva heroína de Carroll. Ao mesmo tempo, o Calendário Pirelli em geral demonstra perfeitamente que o conto de Lewis Carroll continua sendo um trabalho em andamento. Prova de que o País das Maravilhas é um universo que continua a se expandir.

Os bastidores, as imagens do ensaio fotográfico, as histórias e os personagens do Calendário Pirelli 2018 são desvendados no site www.pirellicalendar.com, permitindo que os visitantes descubram a história de mais de 50 anos do The Cal por meio de vídeos, entrevistas, fotografias e textos inéditos. 

 

FOTÓGRAFO TIM WALKER

STYLIST EDWARD ENNINFUL

CENÓGRAFA SHONA HEATH

 

ELENCO

ADUT AKECH: RAINHA BRANCA

ADWOA ABOAH: TWEEDLEDEE

ALPHA DIA: CINCO DE COPAS/UM JARDINEIRO

DJIMON HOUNSOU: REI DE COPAS

DUCKIE THOT: ALICE

KING OWUSU: DOIS DE COPAS /UM JARDINEIRO

LIL YACHTY: VALETE DE COPAS

LUPITA NYONG’O: DORMUNDONGO

NAOMI CAMPBELL: CARRASCO DA REALEZA

RUPAUL: RAINHA DE COPAS

SASHA LANE: LEBRE DE MARÇO

SEAN “DIDDY” COMBS: CARRASCO DA REALEZA

SLICK WOOD: CHAPELEIRO MALUCO

THANDO HOPA: DAMA DE COPAS

WHOOPI GOLDBERG: DUQUESA

WILSON ORYEMA: SETE DE COPAS/UM JARDINEIRO

ZOE BEDEAUX: LAGARTA

JAHA DUKUREH: UMA PRINCESA DO PAÍS DAS MARAVILHAS

 

ENTREVISTA COM TIM WALKER  

Você pensou que, para você, tinha chegado a hora de fazer um Calendário Pirelli?

É uma coisa que eu sempre desejei, obviamente. Acho interessante que, ao olhar para uma fotografia de um dos Calendários Pirelli, você consegue entender quando foi clicada; é sempre muito atual. E também gosto do fato que, ao olhar para ele, você percebe que os fotógrafos tiveram a liberdade de expressar a própria imaginação visual.

 

Vamos conversar a respeito dos processos nos quais se assentam as suas ideias e de que maneira você começou a elaborá-las?

A história da Alice já foi contada tantas vezes; há dois anos, um amigo me deu de presente o livro com as ilustrações originais que eu nunca tinha visto antes. De repente, pensei na Alice e no que Lewis Carroll tinha feito; eu queria regressar à gênese da imaginação de Lewis Carroll para poder recontar tudo desde o começo; não queria ser influenciado pela interpretação da Disney ou do Tim Burton, eu queria voltar ao coração da imaginação, e foi justamente o que o autor fez ao confiar a John Tenniel a interpretação das ilustrações.  

Você afirma que o conto era mais sombrio na origem.

Eu julgo que durante os últimos cinquenta anos, por razões culturais, fomos adoçando os contos. Lewis Carroll tinha entendido perfeitamente que as crianças conseguem compreender e sentir tanto o lado sombrio como o lado leve, e talvez seja por isso mesmo que o seu conto tenha grande eco. 

Eu não diria que os seus trabalhos são considerados sombrios, mas as suas imagens foram definidas de estranha beleza.

A beleza encontra-se em muitas coisas diferentes, às vezes algo que morre e se decompõe é bonito como algo que acaba de nascer. Considerar apenas o lado mais leve, na minha opinião, é um conceito errado.

Quando é que para você a colaboração com outras pessoas de talento é mais uma questão de sensações, cultura, compreensão?

Durante um ensaio como este, você aprende a conseguir o máximo das pessoas, fazer com que elas entendam o que você quer fazer. É uma colaboração, você trabalha com todos para extrair o melhor de cada um com o objetivo de que as suas fotografias sejam o mais bonitas possível. Ao pensar nas imagens, você sempre quer fazer algo que nunca foi feito. É a grande prioridade. Tentar criar sempre uma fotografia que você nunca viu antes, mas que relembra algo que você já viu antes. Trocar ideias é realmente importante. Então, você olha para o trabalho de um fotógrafo, de um artista, de um cineasta, e pensa em uma história que você já leu uma vez, e depois mistura tudo e cria algo completamente novo.  

A colaboração com Shona Heath

 

Shona é mestra do set, ela agrega muito mais do que eu conseguiria fazer. Quando eu tenho uma determinada visão, ela questiona, levanta dúvidas e revela aspectos que eu não tinha enxergado. Ela tem um sentido da cor como ninguém tem. O seu cuidado com os pormenores é ímpar.

Você pensa que o público percebe quando em um projeto faltam paixão e dedicação total? 

Eu considero a fotografia uma espécie de visão, em certo sentido algo de muito mágico e intangível, que na verdade não existe, mas acreditando realmente você consegue fazer com que apareça. A fotografia é ainda melhor quando parece espontânea. Se ela for muito elaborada, perde a força; eu julgo que as fotografias são vivas quando há alguma falha, quando são clicadas espontaneamente e revelam o aspecto imediato.

Na hora de trabalhar, você pretende alcançar um estado de graça?

Algumas das fotografias mais famosas não são elaboradas. Muitas das fotografias de guerra que lembramos são meras frações de segundos que passaram e fugiram, acredito que é assim que acontece com a fotografia, questão de instinto, rapidez e caos. Muitas das minhas fotografias, de alguma forma, são uma carta de amor, uma ponte com o passado, uma homenagem a quem inovou antes de mim.

 

Voltando brevemente ao elenco, você considera que houve um bom equilíbrio entre as pessoas com quem você trabalhou?

As cenas com Sean “Diddy” Combs e Naomi foram caóticas. Um caos positivo, esperado. Uma coisa que eu descobri enquanto fotógrafo é que, se você não consegue controlar completamente a situação, o resultado é ainda melhor. Você acaba se entregando ao instinto e apanhando rapidamente o que acontece. Não é possível trazer ideias, interpretações culturais ou o peso de alguma coisa para um ensaio. Não dá para chegar ao estúdio e começar a clicar pensando muito no que vai acontecer... instinto, esta é a palavra-chave.

 

Com o Calendário, você conseguiu alcançar suas expectativas?

Um fotógrafo nunca está satisfeito, o resultado podia ser diferente, mas estou extremamente feliz com as imagens que cliquei, sinto grande orgulho.  

 

ENTREVISTA COM SHONA HEATH

De que maneira você criou a visão para as cenografias do Calendário deste ano?

Começamos pelas ilustrações de John Tenniel; a primeira coisa foi subdividir a composição do cenário e entender como criar uma cena verossímil. A seguir, separamos elementos e materiais; obviamente não era possível achar o pássaro Dodô, portanto, como recriá-lo? No final, resolvemos juntar várias partes baixadas do banco das imagens. Tirei a foto de uma garça-real de cerâmica que estava no meu estúdio; pegamos a asa e acrescentamos. Combinava com algumas peças de escultura e arquitetônicas que eu tinha colocado na cenografia. O pássaro Dodô, portanto, tinha que ser adaptado ao nosso mundo atual, não podíamos usar uma imagem antiga qualquer de um Dodô, tinha que ser a melhor.

Qual a diferença entre a sua releitura e a história da Alice?

Ao longo das décadas, vimos a história contada por imagens muitas vezes, portanto ficamos pensando como levar a nossa Alice para um lugar diferente. Graças ao elenco completamente negro, conseguimos subverter alguns dos elementos existentes, por exemplo, o coelho que normalmente é branco, aqui é preto. E ainda, no conto original, há uma cena muito conhecida dos jardineiros-cartas de baralho que pintam rosas brancas em vermelho, enquanto na nossa cena eles pintam rosas vermelhas em preto. Sempre procurei ideias novas para subvertê-las, sempre procurei questionar o significado do conto e de seus momentos que saltam à vista, diferenciá-los o quanto mais fosse possível. Na realidade, nós estamos passando uma mensagem muito clara que continua profundamente fiel ao conto original.              

De que maneira você tentou combinar os personagens com as cenografias?

A maneira de encaixar os personagens na cenografia é mais uma questão de narração, da cena que foi criada. Nem sempre organizamos tudo de forma a impor uma determinada situação. Trocamos alguns personagens, algumas pessoas que deveriam interpretar o rei não eram adequadas, houve uma evolução.

É o tipo de trabalho que você ambicionava?

Tivemos tempo, recursos e um ponto de partida fantástico, a ideia era maravilhosa e não era publicidade, mas apenas a apresentação criativa de um conto; na ótica de um trabalho criativo, portanto, diria que não há nada melhor; sim, tive mesmo muita sorte.

 

ENTREVISTA COM EDWARD ENNINFUL

Como aconteceu de você participar do projeto do Calendário deste ano?

O Tim me chamou dizendo que ele estava trabalhando com um projeto da Pirelli.  Perguntou-me se eu estava interessado e obviamente, tratando-se da Pirelli e de Tim Walker, não pensei duas vezes. Aceitei, e Tim explicou-me o assunto e eu fiquei completamente fascinado. Parecia uma ideia muito simples, recontar Alice no País das Maravilhas com personagens todos negros. O Tim é fantástico para estas coisas, só ele consegue inventar algo tão incrível. Fiquei tão entusiasmado com a ideia, que a partir daquele momento, se tornou um projeto apaixonante.

Os mundos do Tim são todos fantásticos e extraordinários.

Havia desenhos maravilhosos e o Tim sabe achar as palavras certas: “Para a Alice e para o elenco, você tem que pensar nos anos 80 e no estilo japonês”, disse, e então, eu pensei nas formas soltas no corpo, nos ombros grandes, nas cinturas bem apertadas, e trabalhei com os tons de marrom tentando evitar determinadas cores. Foi uma viagem mágica, e é típico do Tim, mas esta foi realmente incrível, fiquei feliz de ter participado. Considero esta releitura perfeita para a nossa época, com o que está acontecendo no mundo e com todos os temas a respeito da diversidade. Este projeto fez com que a Pirelli entrasse realmente no debate. Mais uma razão para achar tão genial a parceria com o Tim e a Pirelli; o projeto alinha-se perfeitamente ao “zeitgeist”, ou seja, ao espírito da época.

Você sentiu uma grande proximidade ao colaborar com a Shona e com o Tim e ao escolher os figurinos? Para alguns figurinos, colaborei com a Shona porque precisamos criar um mundo onde as roupas eram figurinos, mas que ao mesmo tempo deviam pertencer ao mundo real. O Puff, por exemplo, veste um conjunto vermelho maravilhoso e calça suas próprias botas. A Naomi tem uma espécie de gaiola e por baixo uma roupa de látex; era muito importante que os figurinos tivessem um elo com o mundo atual. As cartas calçam tênis; com a Shona, formamos uma bela dupla.

O impulso criativo de vocês três foi um grande incentivo.

Quando você está no set, há sempre a procura pela imagem certa, e eu tive a impressão de que o Tim conseguiu nos primeiros 20 minutos. A seguir, falamos a respeito do assunto; parece que esta procura pode demorar uma parte do dia, às vezes dois dias, mas aquele mundo tinha sido pensado atentamente nos mínimos detalhes, e quando a Alice foi “encaixada” na cena, a imagem já estava pronta; acontece raramente.  

            

Você está satisfeito com o elenco?

Foi um sonho poder conhecer alguns dos meus heróis, tal como Whoopi Goldberg, RuPaul e Puff, um elenco incrível, só a Pirelli podia reunir estas pessoas todas. Falei com cada um deles, e todos têm uma grande consideração por este Calendário. Quando a Whoopi foi chamada, a reação dela foi “Meu Deus, eu, tem certeza?”. Ficaram todos entusiasmados com a participação.  Eu me lembro do comentário do Puff: “Esta vai ser uma coisa realmente incrível e todos aqueles que não estão aqui vão ficar muito zangados, ou com grande dor de cotovelo”. Durante alguns dias, eu me senti como se estivesse dentro de um casulo vibrante; é nestes casos que você consegue fazer o melhor trabalho, quando há uma grande concentração.

Você afirmou: “Não posso simplesmente chegar e jogar uma roupa qualquer em uma fotografia, tenho que ter uma ideia do personagem, de quem ele é, de onde ele vem.  É quase como uma brincadeira de criança, você tem suas bonecas e cria personagens, e a moda nisso tudo me ajudou”.

Se eu já souber quem é o personagem, então, as possibilidades são inumeráveis, como no caso do Tim que me chamou para dizer: “Alice recontada com um elenco negro”. Eu já conseguia vê-la, conseguia vê-la ambientada em todas as cenografias e eu consigo trabalhar muito mais uma imagem sabendo quem é o personagem. Para mim, é a coisa mais importante, o personagem acima de tudo.

A Duckie (Thot) é encantadora.

A Duckie foi espetacular, mágica.  Ela parece ultraterrena, escapa por entre os dedos, está presente mas também em outra dimensão, e é a qualidade das grandes estrelas. Ela foi realmente incrível, imperturbável, sempre no personagem, sempre Alice. Lembro que o Tim me chamou para dizer: “Olha, pensei nesta moça”. E eu respondi: “É mesmo a pessoa mais indicada” e, no dia seguinte, recebi um e-mail dizendo que eu tinha razão.

No mundo atual, qual a importância de sonhar?

Continuo acreditando no poder da fantasia e da criatividade.  Hoje em dia, com o mundo nesta situação, nós precisamos ainda mais de sonhos e fantasias.  

Precisamos de distrações. Alguém tem que nos ajudar a fugir da dura rotina do dia-a-dia; precisamos sonhar, hoje mais do que nunca.

 

TIM WALKER — BIOGRAFIA

As fotos de Tim Walker fascinaram durante mais de uma década, mês após mês, os leitores da Vogue. O seu estilo inconfundível caracteriza-se por cenários inusitados e padrões românticos habituais. Após ter trabalhado durante 15 anos com fotografia, mais recentemente Walker começou a realizar filmes. 

Nascido no Reino Unido em 1970, Tim Walker teve seu interesse pela fotografia iniciado na biblioteca da Condé Nast de Londres trabalhando no arquivo Cecil Beaton antes de entrar na faculdade. Depois de formado cum laude em Fotografia, e após ter estudado durante três anos no Exeter College of Art, Tim Walker recebeu o terceiro prêmio no concurso Young Photographer of the Year do diário The Independent. 

 

Em 1994, começou a trabalhar como assistente freelance em Londres, e, em seguida, foi para Nova Iorque e trabalhou na assistência de Richard Avedon. Regressado ao Reino Unido, começou a trabalhar com a realização de retratos e fotografias documentais para alguns jornais britânicos. Aos 25 anos, realizou o seu primeiro editorial de moda para a Vogue e, desde então, continuou a fotografar para as edições britânicas, italianas e americanas da revista, como também para W Magazine e LOVE Magazine. A sua primeira mostra realizou-se no Design Museum de Londres em 2008, que coincidiu com o lançamento do livro Pictures pelo editor teNeues.

Em 2010, sua primeira curta-metragem, The Lost Explorer, foi apresentada no Locarno Film Festival e, em 2011, ganhou o primeiro prêmio de curta-metragem no Chicago United Film Festival.

Em 2012, foi inaugurada a mostra fotográfica Storyteller na Somerset House de Londres. A mostra coincidiu com a publicação do livro de mesmo título editado por Thames and Hudson. Em 2013, em colaboração com Lawrence Mynott e Kit Hesketh-Harvey, Walker publicou The Granny Alphabet, uma incrível coletânea de retratos e ilustrações dedicada às avós.

Em 2008, Tim Walker recebeu o prêmio Isabella Blow Award for Fashion Creator do British Fashion Council, e, em 2009, o prêmio Infinity Award do International Center of Photography. Desde 2012, é Membro Honorário da Royal Photographic Society. 

O Victoria & Albert Museum e a National Portrait Gallery de Londres possuem suas fotografias nos acervos permanentes. Tim mora em Londres.

 

SHONA HEATH — BIOGRAFIA

Shona Heath é uma cenógrafa e criativa britânica de grande renome.

Conhecida pela sua longa colaboração com Tim Walker e ainda com outros fotógrafos contemporâneos de moda (como Craig McDean, Inez & Vinoodh, Paolo Roversi e Jackie Nickerson), nos últimos dez anos foi muito produtiva no campo da imagem de moda e da narração contemporânea.

Shona Heath trouxe o seu toque mágico e a sua experiência para as produções editoriais da moda e da publicidade, desenhando figurinos para uma grande variedade de argumentos. Os elos com o universo da moda, da arte e do cinema continuam a se entrelaçar, fazendo dela uma profissional muito procurada.

Desde 2015, Shona Heath colabora com Marni, construindo espaços arquitetônicos criativos com o uso de belíssimas cores e toque feminino e contemporâneo. 

A sua visão pode ser descrita como um jogo de proporções e cores, um equilíbrio entre requintado e rústico, com o uso de materiais alternativos, tudo sempre com um toque feminino. Em seu trabalho, sobressaem-se padrões e inspirações do mundo natural.

Com o seu jeito típico e brincalhão de lidar com espaços e instalações, Shona Heath criou também vitrines maravilhosas para Barneys New York, Harrods, Colette, J Crew, H&M, Dior e outros mais.

Depois de formada em Fashion Design pela Brighton University em 1997, seus trabalhos abraçaram escultura, papel, pintura, criação de figurinos, fotografia, cinema, direção de arte, instalações, design expositivo e outros. Suas credenciais artísticas, editoriais e comerciais incluem colaborações com Vogue América, UK e Itália, Miu Miu, Prada, Christian Dior, Another Magazine, 032c, Bjork, Hermès, Mulberry, o V & A Museum, Christian Dior, Topshop, Pop Magazine, Dazed & Confused, Qvest, Showstudio, Michael Halpern… e assim por diante!

Shona trabalha em seu estúdio de Dalston, Londres.

            

EDWARD ENNINFUL — BIOGRAFIA

Edward Enninful, OBE (Cavaleiro do Império Britânico), deu os primeiros passos de sua fecunda carreira aos 18 anos, ao ser nomeado Diretor de Moda da i-D, tornando-se assim o diretor mais jovem de uma importante revista internacional. Em 1998, tornou-se o Diretor adjunto de Moda da Vogue Itália, e, em 2005, da Vogue América.

Em 2011, Edward Enninful foi nomeado Diretor Criativo e de Moda da revista W Magazine, e, em agosto de 2017, tomou o comando da Vogue britânica. Paralelamente ao seu relevante trabalho editorial, Enninful marcou com traço inconfundível inumeráveis campanhas publicitárias e desfiles da Gucci, Christian Dior, Versace, Lanvin, Dolce & Gabbana, Jil Sander, Giorgio Armani, Mulberry, Comme des Garçons.

Ao longo de toda a sua carreira, Edward Enninful foi um fomentador da diversidade no universo da moda, ampliando constantemente os confins da expressão artística e produzindo algumas das imagens e das capas de revista mais icônicas do setor.

 

CALENDÁRIOS PIRELLI: FOTÓGRAFOS, LUGARES E MODELOS 1964

 

Robert Freeman em Maiorca, Espanha

Jane Lumb, Sonny Freeman Drane, Marisa Forsyth

1965

Brian Duffy em Mônaco e na Riviera Francesa, Sul da França

Pauline Dukes, Annabella, Virginia, Pauline Stone, Jeannette Harding 

1966 

Peter Knapp em Al Hoceima, Marrocos

Shirley Ann, Sue

1967 

não publicado

 

1968 

Harri Peccinotti em Djerba, Tunísia

Ulla Randall, Elisa Ngai, Pat Booth, Jill LaTour

1969 

Harri Peccinotti em Big Sur, Califórnia

1970 

Francis Giacobetti em Paradise Island, Bahamas Alexandra Bastedo, Anak, Pegga, Paula Martine

1971 

Francis Giacobetti na Jamaica, Grandes Antilhas

Caileen Bell, Angela McDonald, Kate Howard, Christine Townson, Gail Allen

1972 

Sarah Moon em Villa Les Tilleuls, Paris

Suzanne Moncurr, Mick Lindburg, Boni Pfeifer, Inger Hammer, Magritt Rahn, Barbara Trenthan

1973 

Brian Duffy em Londres, Reino Unido

Erica Creer, Sue Paul, Nicki Howorth, Kubi, Nicky Allen, Jane Lumb, Kate Howard, Vida,  Penny Steel, Kari Ann, Elizabeth, Vicky Wilks

 

1974

Hans Feurer nas Ilhas Seychelles, África

Eva Nielson, Kim, Marana, Chichinou, Kathy Cochaux

1975 - 1983 

não publicados

 

1984 

Uwe Ommer nas Bahamas, América Central

Angie Layne, Suzy-Ann Watkins, Jane Wood, Julie Martin

1985 

Norman Parkinson em Edimburgo, Escócia Anna, Cecilia, Iman, Lena, Sherry

1986 

Bert Stern em Cotswolds, Reino Unido

Julia Boleno, Jane Harwood, Louise King, Deborah Leng, Suzy Yeo, Beth Toussaint, Gloria,  Joni Flyn, Caroline Hallett, Samantha, Juliet, Clare Macnamara

1987 

Terence Donovan em Bath, Reino Unido

Ione Brown, Colette Brown, Naomi Campbell, Gillian De Turville, Waris Dirie

1988 

Barry Lategan em Londres, Reino Unido

Hugo Bregman, Briony Brind, Victoria Dyer, Nicola Keen, Kim Lonsdale, Sharon MacGorian,  Naomi Sorkin, Carol Straker

1989 

Joyce Tennyson nos Polaroid Studios, Nova Iorque

Lisa Whiting, Nicky Nagel, Dannielle Scott, Brigitte Luzar, Gilda Meyer-Nichof, Kathryn Bishop, Susan Allcorn, Susan Waseen, Rosemarie Griego, Akura Wall, Gretchen Heichholz, Rebecca Glen

1990 

Arthur Elgort em Sevilha, Espanha

Laure Bogeart, Laurie Bernhardt, Christina Cadiz, Anna Klevhag, Florence Poretti, Debrah Saron

            

1991

Clive Arrowsmith na França

Alison Fitzpatrick, Lynne Koester, Monika Kassner, Paola Siero, Nancy Liu, Katherina Trug, Jackie Old Coyote, Tracy Hudson,  Rachel Boss, Carole Jimenez, Saskia Van Der Waarde, Rina Lucarelli, Susie Hardie-Bick

1992 

Clive Arrowsmith em Almeria, Espanha

Alison Fitzpatrick, Julienne Davis, Judi Taylor

1993 

John Claridge nas Ilhas Seychelles, África

Christina Estrada, Barbara Moors, Claudie

1994 

Herb Ritts em Paradise Island, Bahamas

Karen Alexander, Helena Christensen, Cindy Crawford, Kate Moss

1995 

Richard Avedon em Nova Iorque, Estados Unidos

Nadja Auermann, Farrah Summerford, Naomi Campbell, Christy Turlington

1996 

Peter Lindberg em El Mirage, Califórnia, Estados Unidos

Eva Herzigova, Nastassja Kinski, Kristen Mc Menamy, Navia, Carre Otis, Tatjanna Patitz

1997 

Richard Avedon em Nova Iorque, Estados Unidos

Honor Fraser, Ling, Cordula, Sophie Patitz, Ines Sastre, Waris Dirie, Anna Klevhag, Monica Bellucci, Gisele, Kristina, Tatiana, Irina, Jenny Shimizu, Marie Sophie, Brandy, Julia Ortiz, Nikki Uberti

1998 

Bruce Weber em Miami, Estados Unidos

Tanga Moreau, Stella Tenant, Milla Jovovich, Carolyn Murphy, Eva Herzigova, Patricia Arquette, Shalom Harlow, Kristy Hume, Elaine Irwin Mellencamp, Georgina Grenville, Kiara, Rachel Roberts, Daryl Hannah. Convidados: Dermot Mulroney, Fred Ward, Ewan Mc Gregor, Dan O’Brien, BB King, Sonny Rollins, Bono, Paul Cadmus, Francesco Clemente, John Malkovich, Kelly Slater,  Kris Kristofferson, Robert Mitchum.

            

1999

Herb Ritts em Los Angeles, Estados Unidos

Chandra North, Sophie Dahl, Karen Elson, Michele Hicks, Carolyn Murphy, Shirley Mallmann, Laetitia Casta, Audrey Marnay, Elsa Benitez, Bridget Hall, Angela Lindvall, Alek Wek

2000 

Annie Leibovitz em Rhinebeck em Nova Iorque, Estados Unidos

Lauren Grant, June Omura, Mireille Radwan-Dana, Laetitia Casta, Alek Wek, Julie Worden, 

Jacqui Agyepong, Marjorie Folkman

2001 

Mario Testino em Nápoles, Itália

Gisele Bundchen, Aurelie Claudel, Karen Elson, Rhea Durham, Marianna Weickert, 

Fernanda Tavares, Angela Lindvall, Ana Claudia Michael, LIsa Winkler, Noemi Lenoir,  Frankie Rayder, Carmen Kass

2002 

Peter Lindbergh em Los Angeles, Estados Unidos

Lauren Bush, Erika Christensen, Amy Smart, Bridget Moynahan, James King, Shannyn Sossamon, Selma Blair, Kiera Chaplin, Brittany Murphy, Monet Mazur, Rachel Leigh Cook, Mena Suvari, Julia Stiles

 

2003 

Bruce Weber no Cilento e em Paestum, Itália

Jessica Miller, Lisa Steiffert, Heidi Klum, Isabeli Fontana, Mariacarla Boscono, Natalia Vodianova, Karolina Kurkova, Sienna Miller, Alessandra Ambrosio, Rania Raslan, Bridget Hall, Sophie Dahl, Eva Riccobono, Yamila Diaz-Rahi, Filippa Hamilton, Valentina Stilla, Enrico Lo Verso, Alessandro Gassman, Tomasino Ganesh, Marcelo Boldrini, Jak Krauszer, Stephan Ferrara, Ajay Lamas

2004 

Nick Knight em Londres, Reino Unido

Adina Fohlin, Amanda Moore, Jessica Miller, Natalia Vodianova, Karolina Kurkova, 

Mariacarla Boscono, Esther de Jong, Frankie Rayder, Liberty Ross, Dewi Driegen, Ai Tominaga, Pollyanna McIntosh, Alek Wek

2005 

Patrick Demarchelier no Rio de Janeiro, Brasil

Adriana Lima, Julia Stegner, Michelle Buswell, Erin Wasson, Marija Vujovic, Fillipa Hamilton, Liliane

Ferrarezi, Valentina, Diana Dondoe, Isabeli Fontana, Naomi Campbell

            

2006

Mert and Marcus em Cap d’Antibes, França

Jennifer Lopez, Gisele Bundchen, Guinevere Van Seenus, Kate Moss, Karen Elson, Natalia Vodianova

2007 

Inez and Vinoodh na Califórnia

Sophia Loren, Penelope Cruz, Lou Doillon, Naomi Watts, Hilary Swank

2008 

Patrick Demarchelier em Xangai, China

Maggie Cheung, Agyness Deane, Lily Donaldson, Du Juan, Doutzen Kroes, Catherine McNeil,  Mo Wan Dan, Sasha Pivovarova, Coco Rocha, Caroline Trentini, Gemma Ward

2009 

Peter Beard em Abu Camp/Jack’s Camp, Botswana

Daria Werbowy, Emanuela De Paula, Isabeli Fontana, Lara Stone, Rianne Ten Haken,  Malgosia Bela, Mariacarla Boscono

2010 

Terry Richardson na Bahia, Brasil

Daisy Lowe, Georgina Stojiljokovic, Rosie Huntington, Eniko Mihalik, Catherine McNeil, Ana Beatriz, Abbey Lee Kershaw, Marloes Horst, Lily Cole, Miranda Kerr, Gracie Carvalho

2011 

Karl Lagerfeld em Paris, França

Bianca Balti, Eliza Sednaoui, Freja Beha Erichsen, Isabeli Fontana, Magdalena Frackowiak, 

Anja Rubik, Abbey Lee Kershaw, Lakshmi Menon, Heidi Mount, Erin Wasson, Natasha Poly, 

Lara Stone, Daria Werbowy, Iris Strubegger, Jeneil Williams, Baptiste Giabiconi, Sebastian Jondeau, Brad Kroenig, Garrett Neff, Jake Davis

2012 

Mario Sorrenti em Murtoli, Córsega, Itália

Isabeli Fontana, Natasha Poly, Saskia De Brauw, Lara Stone, Joan Small, Guinevere Van Seenus, Malgosia Bela, Edita Vilkevictiute, Kate Moss, Milla Jovovich, Margareth Made, Rinko Kikuchi

2013 

Steve McCurry no Rio de Janeiro, Brasil

Isabeli Fontana, Adriana Lima, Sonia Braga, Marisa Monte, Elisa Sednoui, Petra Nemcova,  Hanna Ben Abdesslem, Liya Kebede, Karlie Kloss, Kyleigh Kuhn, Summer Rayne Oakes

2014

Comemoração do 50° aniversário do Calendário em Milão, Itália

Calendário 1986 de Helmut Newton, em Mônaco e Chianti

Antonia Dell’Atte, Susie Bick, Betty Prado

2015 

Steven Meisel em Nova Iorque, Estados Unidos

Karen Elson, Anna Ewers, Isabeli Fontana, Gigi Hadid, Candice Huffine, Adriana Lima, Sasha Luss, Cameron Russel, Joan Smalls, Natalia Vodianova, Raquel Zimmerman

2016 

Annie Leibovitz em Nova Iorque, Estados Unidos

Yao Chen, Natalia Vodianova, Kathleen Kennedy, Agnes Gund and Sadie Rain Hope-Gund, 

Serena Williams, Fran Lebowitz, Mellody Hobson, Ava Duvernay, Tavi Gevinson, Shirin Neshat, Yoko Ono, Patti Smith, Amy Schumer  

2017 

Peter Lindbergh em Berlim, Los Angeles, Nova Iorque, Londres e Le Touquet 

Jessica Chastain, Penelope Cruz, Nicole Kidman, Rooney Mara, Helen Mirren, Julianne Moore, Lupita Nyong'o, Charlotte Rampling, Lea Seydoux, Uma Thurman, Alicia Vikander, Kate Winslet, Robin Wright, Zhang Ziyi . Special guest Anastasia Ignatova

2018

Tim Walker em Londres, Reino Unido 

Adut Akech, Adwoa Aboah, Alpha Dia, Djimon Hounsou, Duckie Thot, Jaha Dukureh, King Owusu,

Lil Yachty, Lupita Nyong’o, Naomi Campbell, RuPaul, Sasha Lane, Sean “Diddy” Combs,  Slick Woods, Thando Hopa, Whoopi Goldberg, Wilson Oryema, Zoe Bedeau

 

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